Você já pensou no que é que motiva alguém a colaborar com você?

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Não tenho resposta exata para isso mas tenho algumas ideias do que pode facilmente eliminar a colaboração alheia:

I – Crenças Básicas Necessárias Para Acabar Com a Colaboração Dos Outros.

  1. Parta do princípio de que você é ótimo em (quase) tudo o que faz e ninguém em volta de você chega perto de sua competência.
  2. Insista na crença de que fazer tudo sozinho é melhor e mais rápido.
  3. Acredite piamente que pedir ajuda é quase sempre inútil e invariavelmente significa perda de tempo.
  4. Também tenha certeza de que pedir ajuda é constrangedor porque significa exposição ao julgamento dos outros.
  5. Esteja convicto de que todo mundo sempre larga tudo na sua mão e você não tem outra alternativa além de fazer sozinho.

Neste ponto você está a meio caminho de afugentar qualquer um que se aventure a lhe oferecer colaboração.

Para garantir o sucesso absoluto, seguem as dicas complementares:

II – Posturas e Atitudes Indispensáveis Para Afugentar Quem Poderia Colaborar.

  1. Planeje a missão que você tem a fazer para ser executada por uma única pessoa: você.
  2. Resista bravamente à ideia de procurar alguém que possa ajudá-lo.
  3. Recuse prontamente qualquer oferta de ajuda.
  4. Se alguém insistir, justifique que você não precisa de auxílio e que a missão é fácil (e você dá conta sozinho).
  5. Seja impaciente (ainda que disfarçadamente) com qualquer colaboração espontaneamente oferecida.
  6. Critique mentalmente por antecipação, as ideias e alternativas que alguém possa dar para ajudá-lo.
  7. Explique de maneira definitiva para a pessoa que veio ajudar, por que suas sugestões não vão funcionar.
  8. Desmonte imediatamente e de forma cabal quaisquer argumentos adicionais que essa insistente pessoa apresentar na vã esperança de viabilizar sua ajuda.

Detalhe: você não precisa apresentar o cardápio inteiro para afugentar quem poderia colaborar com você.
Umas 2 ou 3 opções dessas já atingem esse objetivo de forma eficaz.

Pronto.
Com isso nós liquidamos o assunto deste post.

Entretanto (você pode alegar…), as crenças citadas não parecem tão erradas assim.

Vejamos:

  1. Acreditar ser ótimo e único em tudo o que faz, pode muito bem estar correto.
    Na hipótese de que você seja uma dessas raras pessoas excepcionalmente competentes em quase tudo,
    é provável que ocasionalmente não encontre alguém próximo com competência à sua altura.
  2. Fazer sozinho pode ser melhor e mais rápido em algumas circunstâncias específicas.
    Como por exemplo, quando você é especialista no assunto, há urgência na ação e as demais pessoas disponíveis não são capazes por algum motivo.
  3. Pedir ajuda pode ser inútil quando não há ninguém ao alcance imediato, competente, capacitado ou disposto a ajudar.
  4. Expor-se ao julgamento alheio por pedir ajuda pode ser uma consequência real.
    Aliás, é bastante provável que isso aconteça.
  5. Constatar que todos largam tudo na sua mão é bastante plausível.
    Basta que eles percebam que é sempre você que toma a iniciativa.

De fato, essas crenças podem não ser completamente erradas.
Entretanto o problema não está em saber se são válidas ou não.
Está em sua origem.
Nas circunstâncias em que elas foram construídas.
E no uso delas como justificativas para atitudes que infalivelmente afastam a colaboração alheia.

Oras (você pergunta), mas que mal há em não (ou melhor, nunca…) querer colaboração?
A consequência é que com o passar do tempo, você termina por conquistar fama de autossuficiente.
E também de alguém que sempre recusa ajuda, não importa com que insistência e boa vontade lhe seja oferecida.
As pessoas em volta então, abandonam a ideia de ajudá-lo.
Aliás, acomodam-se e passam a contar com você para fazer por elas.
Até que finalmente sua energia se esgota, você quer ajuda e não há ninguém por perto para lhe estender a mão.

Agora vamos levantar uma hipótese paradoxal.
Vamos supor que, contra todas as evidências, quem se comporta como descrito acima não tenha a intenção de eliminar os colaboradores.

Há várias alternativas possíveis para mudar esse quadro.
Desde fazer terapia até passar por coaching.

E talvez eu possa contribuir com algumas sugestões.

Podemos começar por investigar a origem das crenças citadas.
Por exemplo: ser ótimo em tudo o que faz pode muito bem ser uma qualidade sua.
Que deve ter surgido a partir de sua característica de tomar a iniciativa para resolver os problemas que surgiam na sua frente.
Como das primeiras vezes você provavelmente teve sucesso, as pessoas em volta se acomodaram.
E foram aos poucos largando na sua mão a solução dos problemas seguintes.
Você se sentiu envaidecido por ser aquele que resolvia tudo.
E foi-se tornando cada vez mais competente e se cercando de pessoas cada vez mais dependentes de você.
Conclusão: torna-se um ciclo vicioso.
Quanto mais você faz, mais competente se torna.
E quanto mais as pessoas largam na sua mão, menos treinado são e menos sabem fazer.
Isso explica as crenças 2, 3 e 5.
Quanto à crença 4, ela pode pode ter várias origens.
Vaidade, orgulho, insegurança, preconceito, personalidade centralizadora, etc
Em todos os casos, ela é pouco conectada com a realidade.
Não é o que os outros vão pensar de nós que nos preocupa.
É o que nós fantasiamos a esse respeito.
Pois pedir ajuda não só desperta empatia como também mostra coragem – e não fraqueza.

Quanto às atitudes e posturas, é preciso perceber o quanto elas afastam as pessoas.
E começar a fazer diferente.
Começar a correr o risco de aceitar que as pessoas colaborem.
Contar com elas, permitir que contribuam e valorizar as ofertas de ajuda.
Parar de criticá-las sem nem ao menos saber o que oferecem.
Enfim, dar a chance de se surpreender com o que elas podem trazer de bom.
E mesmo que não seja nada, só a solidariedade alheia já será uma grande conquista.

Nada como sentir-se amparado por quem está em volta, ao cumprir uma missão.

Agradeço a paciência e interesse de quem lê meus posts.
Comentários e críticas são sempre bem-vindos.